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Más notas, não vais aos treinos! Será esta a melhor opção de castigo?

Más notas, não vais aos treinos! Será esta a melhor opção de castigo?

Chegámos ao final do 1º período e com isso as reuniões de pais com os professores onde inevitavelmente uma ou outra má notícia acerca da avaliação/desempenhos e, quase que invariavelmente, a primeira atitude dos Pais é a aplicação de castigos aos filhos, nomeadamente obrigando-os a deixar o Futebol ou outra modalidade, ainda que por vezes, de forma temporária. Disciplina é um fator determinante para qualquer educação, mas será esta a forma correcta de educar?

É discutível que os “castigos” funcionem ou façam parte do processo correcto de educar ou mostrar o que é certo ou errado. Certo é que se torna necessário ter “bom senso” na hora de aplicar o castigo adequado em cada situação, porque ele só funciona se tiver uma conotação educativa e não punitiva.

Como fundamentar a quebra de um compromisso assumido pelo atleta para com um grupo/equipa, justificando a falha com outro compromisso tido com os Pais? Será que existem hierarquias de compromissos ou acima de tudo existem compromissos que invariavelmente devem ser honrados?

Ora, quando um atleta no início do ano ingressa numa equipa, automaticamente sabe quais são os seus compromissos a nível de presenças aos treinos e aos jogos. O desempenho escolar e o mau comportamento, não podem servir para quebrar esse compromisso, porque haverá várias partes lesadas, para além do próprio atleta. É desde pequeninos que se lhes deve mostrar a importância da ética profissional que passa por assumir e cumprir todos os compromissos!


Por outro lado, depois de vários treinos de ausência, o atleta irá perder novos conhecimentos ensinados nos treinos. Provavelmente, quando regressar irá ter mais dificuldades, principalmente a nível técnico/táctico e de interação com a equipa. A ausência desse elemento da equipa irá também causar algumas alterações no próprio grupo.


Como consequência de ter tido más notas, não é recomendável que se tire a criança do futebol ou de outra actividade, mas sim, relembrar que os estudos se sobrepõem a essas atividades e se devam sacrificar alguns treinos ou aulas de ballet em prol de mais estudo.


Cabe aos Pais, pensar na melhor estratégia para evitar que aquele mau comportamento ou resultado sejam repetidos. Falando sobretudo como Treinador, penso que existem outras formas de actuar sem utilizar “castigos”. Deverão fazer entender ao jovem que existem prioridades e que a prática de Futebol não será por certo a mais importante. Há que criar regras (em conjunto), menos penalizadoras para ele e que quando aplicadas, resultam de uma decisão com maiores benefícios para a saúde do atleta (como por exemplo, tempos de televisão, computadores ou telemóvel) e sem pôr em causa os compromissos assumidos! Cabe aos Pais, que conhecem melhor o atleta, saber se será mais positivo o uso de incentivos ou de castigos! Por conhecimento de causa, muitas das vezes basta auxiliar na planificação das actividades onde se inclui os tempos de estudo!

O desporto é importante para o crescimento do jovem atleta. Conciliar o Futebol com os estudos será o mais importante para o seu desenvolvimento enquanto atleta e como pessoa, porque também muitas das vezes, os treinos são a única oportunidade que as crianças têm de realizarem uma actividade saudável (ao ar livre) em grupo, visto que hoje em dia tornou-se perigoso brincar na rua.


Os insucessos fazem parte da vida! Aprender com eles é fundamental para o crescimento e desenvolvimento humano.


Jorge Rio Cardoso, professor do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa conta nos seus livros que, até aos 13 anos, não sabia estudar. Em que momento se deu a viragem e como passou a ser um bom aluno?


“Esse clique deu-se muito por culpa do desporto, no caso, o atletismo. Sem me aperceber, ganhei uma série de competências, nomeadamente em termos de regras, de autoconfiança, de valorização do esforço e de sentido de gratificação. Tanto na escola como no atletismo, comecei a perceber que não era o melhor e que só investindo em mim poderia melhorar e até procurar a excelência, depois de ultrapassar uma série de pormenores.”


Quais são os primeiros passos que qualquer pai deve dar para motivar o seu filho para um novo ano escolar?


“Mais do que motivar os filhos para o estudo, os pais devem alargar essa motivação para a vida e tentar que os filhos sejam felizes, pois sem felicidade não há motivação, boas notas ou uma formação assertiva. Para isso ajuda, por exemplo, identificar a paixão dos filhos, seja o desporto, a música, (...) para depois transferir as regras dessas atividades para o universo do estudo, da escola.”


Concluindo este tema, já há muitos séculos que usamos a expressão “Mens sana in corpore sano”, que quer dizer que somente um corpo saudável pode produzir ou sustentar uma mente sã.

A falta do atleta nos treinos e jogos, durante um período, poderá ser um factor que não ajuda a mente e o seu desempenho escolar. Então será que retirar a ida aos treinos/jogos é positivo?